Porto Alegre, 6 de setembro de 2010
   
 
 
. contos . livros


EM BREVE, todo o Direito Publicitário reunido pela primeira vez em um livro.

"O PUBLICITÁRIO LEGAL"

de ROBERTO SCHULTZ

um lançamento da


www.qualitymark.com.br

Trechos de Cartas Recebidas:

"Roberto: Continue escrevendo. Gostei dos seus contos."
(Rubem Fonseca)

"Não há dúvida: tens o estofo do bom contista: seguro domínio da palavra, hábil condução da narrativa, e um humor especial. Espero que o livro tenha a repercussão que merece!"
(Moacyr Scliar)

"Escrevo para cumprimenta-lo por esse belo começo que é "O Coro do Vento", que gentilmente me enviou. Espero vê-lo não apenas este ano, mas em muitos dos próximos, autografando seus livros na nossa Feira"
(Liberato Vieira da Cunha)

"Roberto Schultz escreve sobre pessoas estranhas, sobre pessoas sofridas, pobres, ricas, velhas, solitárias. Há alguma coisa de agudo no texto dele que penetra sob a pele dos personagens, que os disseca, revelando-os nas suas pequenas torpezas e sonhos. A verdade é que certas pessoas escrevem porque não conseguem "não escrever". Roberto é assim (...)"
(Letícia Wierzchowski)

LEIA A MATÉRIA NO APLAUSO BRASIL:

"EIS-ME DE REPENTE LANÇADO NO
TURBILHÃO DO MUNDO."

Abro citando José de Alencar, na sua carta chamada Como e Porque Sou Romancista:

"Eis-me de repente lançado no turbilhão do mundo. Ao cabo de quatro anos de tirocínio na advocacia, a imprensa diária, na qual apenas me arriscara como folhetinista, arrebatou-me. Em fins de 1856 achei-me redator-chefe do Diário do Rio de Janeiro. É longa a história dessa luta, que absorveu cerca de três dos melhores anos de minha mocidade. Aí se acrisolaram as audácias, que desgostos, insultos nem ameaças, conseguiram quebrar até agora; antes parece que as afiam com o tempo".

Eu, ao contrário de Alencar, já sou Escritor antes de ser Advogado. E, sinceramente, gosto de ser os dois, gosto muito. E é pelos dois que eu escrevo trabalhando e escrevo me divertindo. Acho que sempre escrevi. Se não no papel, mentalmente. Porque todo o tímido - e eu era tímido - ao invés de falar, observa. E observando vai tomando notas, criando tipos, colecionando falas, realizando críticas, interpretando as pessoas: Fulano, quando se comporta assim, conversando com alguém na rua e olhando em volta para ver se o estão notando, está querendo se demonstrar assado. Cicrana, quando segura o cigarro fincado entre o indicador e o anular, com as costas da mão voltada para fora, e ri alto num lugar público, está querendo dizer "eu sou isso" ou "eu sou aquilo".

Fulano e Cicrana provavelmente não supunham que o sujeitinho no canto, aquele com a aparência pouco interessante (eu!), fosse um Escritor a tomar nota das suas reações. Tanto um quanto a outra julgavam-se - ou de fato eram - o centro das atenções.

Eu nunca fui o centro das atenções. Talvez aqui o primeiro trauma (Freud deve explicar), mas disso eu tirei algum proveito. Financeiro, nenhum, que escrever neste País dos livros de auto-ajuda não dá dinheiro, a não ser para os MUITO grandes. Dele, eu aproveito para reconstruir-me. Provavelmente nunca vou escrever um texto do tipo "porque eu escrevo.." pois para isso eu não tenho qualquer justificativa, só sei que ela, a coceira de escrever chega e, mais do que isso, me enche de soberba e me ilude ao dizer "vai em frente". E, mesmo iludido, vou em frente porque gosto de escrever e, sabem de uma coisa? Às vezes eu PRECISO escrever.

E sei que é lugar-comum dizer isso, mas sou escritor porque também sou leitor e alguns dos que me empurraram para essa vala, estão aí em cima, falando sobre os meus contos.

Então, a despeito de alguns (poucos) elogios que eu tenho colecionado como Escritor, alguns vindos de Grandes Escritores de verdade (leia acima) e outros vindos de Grandes Leitores, famosos ou não, eu escrevo por diversão, pelo mero experimento de ser Deus, um "deusinho" de araque, criando vidas que não existem, ou transformando algumas vidas criadas e mantidas pelo Criador original. Transformo-as emocionando, distraindo, pensando, autocriticando-se (nos).

E escrevo e leio também em causa própria. A Literatura salva, porque nos livra momentaneamente - nos dando a absorção e o esquecimento, através da leitura ou da escrita - das nossas angústias cotidianas, das preocupações que nos fazem atravessar a noite, insones, às vezes. Ler Rubem Fonseca (definitivamente, O Mestre), por exemplo, é um bálsamo, pois se consegue facilmente entrar nas suas histórias, como num filme. Assim como ler, o ato de escrever também é um excelente "resolvedor de inquietudes". Escrever, tal como ler, pois, é mero desassossego.

E não por acaso é que eu fecho citando Fernando Pessoa, justamente no seu Livro do Desassossego:

"Por que escrevo então? Porque, pregador que eu sou da renúncia, não aprendi ainda a executa-la plenamente. Não aprendi a abdicar da tendência para o verso e a prosa. Tenho de escrever como cumprindo um castigo. E o maior castigo é o de saber que o que escrevo resulta inteiramente fútil, falhado e incerto".