EM BREVE, todo o Direito Publicitário reunido
pela primeira vez em um livro.
"O PUBLICITÁRIO LEGAL"
de ROBERTO SCHULTZ
um lançamento da
 www.qualitymark.com.br
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Trechos de Cartas Recebidas:
"Roberto: Continue escrevendo. Gostei dos seus
contos." (Rubem Fonseca)
"Não há dúvida: tens o estofo
do bom contista: seguro domínio da palavra, hábil condução
da narrativa, e um humor especial. Espero que o livro tenha a repercussão
que merece!"
(Moacyr Scliar)
"Escrevo para cumprimenta-lo por esse belo começo
que é "O Coro do Vento", que gentilmente me enviou. Espero
vê-lo não apenas este ano, mas em muitos dos próximos,
autografando seus livros na nossa Feira" (Liberato Vieira
da Cunha)
"Roberto Schultz escreve sobre pessoas estranhas,
sobre pessoas sofridas, pobres, ricas, velhas, solitárias. Há
alguma coisa de agudo no texto dele que penetra sob a pele dos personagens,
que os disseca, revelando-os nas suas pequenas torpezas e sonhos. A verdade
é que certas pessoas escrevem porque não conseguem "não
escrever". Roberto é assim (...)" (Letícia
Wierzchowski)
LEIA
A MATÉRIA NO APLAUSO BRASIL:
"EIS-ME DE REPENTE LANÇADO NO
TURBILHÃO DO MUNDO."
Abro citando José de Alencar, na sua carta chamada Como e Porque
Sou Romancista:
"Eis-me de repente lançado no turbilhão
do mundo. Ao cabo de quatro anos de tirocínio na advocacia, a
imprensa diária, na qual apenas me arriscara como folhetinista,
arrebatou-me. Em fins de 1856 achei-me redator-chefe do Diário
do Rio de Janeiro. É longa a história dessa luta, que
absorveu cerca de três dos melhores anos de minha mocidade. Aí
se acrisolaram as audácias, que desgostos, insultos nem ameaças,
conseguiram quebrar até agora; antes parece que as afiam com
o tempo".
Eu, ao contrário de Alencar, já sou Escritor antes de
ser Advogado. E, sinceramente, gosto de ser os dois, gosto muito. E é
pelos dois que eu escrevo trabalhando e escrevo me divertindo. Acho que
sempre escrevi. Se não no papel, mentalmente. Porque todo o tímido
- e eu era tímido - ao invés de falar, observa. E observando
vai tomando notas, criando tipos, colecionando falas, realizando críticas,
interpretando as pessoas: Fulano, quando se comporta assim, conversando
com alguém na rua e olhando em volta para ver se o estão
notando, está querendo se demonstrar assado. Cicrana, quando segura
o cigarro fincado entre o indicador e o anular, com as costas da mão
voltada para fora, e ri alto num lugar público, está querendo
dizer "eu sou isso" ou "eu sou aquilo".
Fulano e Cicrana provavelmente não supunham que o sujeitinho no
canto, aquele com a aparência pouco interessante (eu!), fosse um
Escritor a tomar nota das suas reações. Tanto um quanto
a outra julgavam-se - ou de fato eram - o centro das atenções.
Eu nunca fui o centro das atenções. Talvez aqui o primeiro
trauma (Freud deve explicar), mas disso eu tirei algum proveito. Financeiro,
nenhum, que escrever neste País dos livros de auto-ajuda não
dá dinheiro, a não ser para os MUITO grandes. Dele, eu aproveito
para reconstruir-me. Provavelmente nunca vou escrever um texto do tipo
"porque eu escrevo.." pois para isso eu não tenho qualquer
justificativa, só sei que ela, a coceira de escrever chega e, mais
do que isso, me enche de soberba e me ilude ao dizer "vai em frente".
E, mesmo iludido, vou em frente porque gosto de escrever e, sabem de uma
coisa? Às vezes eu PRECISO escrever.
E sei que é lugar-comum dizer isso, mas sou escritor porque também
sou leitor e alguns dos que me empurraram para essa vala, estão
aí em cima, falando sobre os meus contos.
Então, a despeito de alguns (poucos) elogios que eu tenho colecionado
como Escritor, alguns vindos de Grandes Escritores de verdade (leia acima)
e outros vindos de Grandes Leitores, famosos ou não, eu escrevo
por diversão, pelo mero experimento de ser Deus, um "deusinho"
de araque, criando vidas que não existem, ou transformando algumas
vidas criadas e mantidas pelo Criador original. Transformo-as emocionando,
distraindo, pensando, autocriticando-se (nos).
E escrevo e leio também em causa própria. A Literatura
salva, porque nos livra momentaneamente - nos dando a absorção
e o esquecimento, através da leitura ou da escrita - das nossas
angústias cotidianas, das preocupações que nos fazem
atravessar a noite, insones, às vezes. Ler Rubem Fonseca (definitivamente,
O Mestre), por exemplo, é um bálsamo, pois se consegue facilmente
entrar nas suas histórias, como num filme. Assim como ler, o ato
de escrever também é um excelente "resolvedor de inquietudes".
Escrever, tal como ler, pois, é mero desassossego.
E não por acaso é que eu fecho citando Fernando Pessoa,
justamente no seu Livro do Desassossego:
"Por que escrevo então? Porque, pregador
que eu sou da renúncia, não aprendi ainda a executa-la
plenamente. Não aprendi a abdicar da tendência para o verso
e a prosa. Tenho de escrever como cumprindo um castigo. E o maior castigo
é o de saber que o que escrevo resulta inteiramente fútil,
falhado e incerto".
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