Porto Alegre, 6 de setembro de 2010
   
 
 
QUEM PRECISA DE UM ADVOGADO CRIATIVO?

Advogados são advogados e "criativos"(aqueles que trabalham na Área de Criação das agências) são "criativos", cada macaco no seu galho. Um advogado não precisa, dirão alguns, ser criativo, mas apenas conhecer as leis e os trâmites do Judiciário. Certo? Errado.

Contei aqui que comecei a trabalhar para os publicitários, desafiado que fui por um deles para escrever um texto "de advogado" que não precisasse de duas leituras, mas que fosse acessível a qualquer pessoa. E consegui escrever a tal peça. E gostei de lidar com a Propaganda e com os seus profissionais.

Lá se vai quase uma década. Em muito por (tentar) escrever literatura e por isso também exercer a criatividade, acabei me estabelecendo, com relativa competência. "Quem não tem competência que não se estabeleça", diz o surrado chavão. Mas ela se estabeleceu por gosto pessoal, porque todo mundo sabe que se faz muito melhor aquilo que se gosta de fazer. E eu gosto.

O mundo da Propaganda sempre me fascinou, mesmo eu cá me mantendo no meu "galho". E hoje escuto falar e discuto CENP, CONAR, job, briefing, fee ou front-light sem legendas, sem precisar de tradução. Sei quais são os pontos frágeis e os fortes na Publicidade Comercial Brasileira e por causa disso tenho atendido agências, fornecedores, veículos, alunos e professores em todo o Brasil, discutindo de igual para igual e criando soluções que atendam aos interesses e às dúvidas dos profissionais da Área.

Há algum tempo um conhecido (e muito famoso) publicitário brasileiro disse-me que se os publicitários fossem submeter tudo o que fazem a um advogado, poucas seriam as peças de Propaganda que iriam para a rua. Concordo, em parte.

O objetivo não é criar problemas. Mas, sempre que possível, preveni-los. E isso implica em adequar a solução das leis à criatividade da peça criada. Ou, quando os problemas já estiverem criados, tentar solucioná-los de uma maneira que não haja respingos para o nosso "patrão" comum: o cliente e anunciante.

Afinal, é por causa dele que eu, advogado, e vocês, publicitários e demais profissionais ligados à Propaganda, estamos aqui empregando todo o nosso poder criativo e a nossa força de trabalho. De preferência sem muito "juridiquês", só com o "publicitariês".


ROBERTO SCHULTZ Ribeiro, Advogado.