QUEM PRECISA DE UM ADVOGADO CRIATIVO?
Advogados são advogados e "criativos"(aqueles que trabalham
na Área de Criação das agências) são
"criativos", cada macaco no seu galho. Um advogado não
precisa, dirão alguns, ser criativo, mas apenas conhecer as leis
e os trâmites do Judiciário. Certo? Errado.
Contei aqui que comecei a trabalhar para os publicitários, desafiado
que fui por um deles para escrever um texto "de advogado" que
não precisasse de duas leituras, mas que fosse acessível
a qualquer pessoa. E consegui escrever a tal peça. E gostei de
lidar com a Propaganda e com os seus profissionais.
Lá se vai quase uma década. Em muito por (tentar) escrever
literatura e por isso também exercer a criatividade, acabei me
estabelecendo, com relativa competência. "Quem não tem
competência que não se estabeleça", diz o surrado
chavão. Mas ela se estabeleceu por gosto pessoal, porque todo mundo
sabe que se faz muito melhor aquilo que se gosta de fazer. E eu gosto.
O mundo da Propaganda sempre me fascinou, mesmo eu cá me mantendo
no meu "galho". E hoje escuto falar e discuto CENP, CONAR, job,
briefing, fee ou front-light sem legendas,
sem precisar de tradução. Sei quais são os pontos
frágeis e os fortes na Publicidade Comercial Brasileira e por causa
disso tenho atendido agências, fornecedores, veículos, alunos
e professores em todo o Brasil, discutindo de igual para igual e criando
soluções que atendam aos interesses e às dúvidas
dos profissionais da Área.
Há algum tempo um conhecido (e muito famoso) publicitário
brasileiro disse-me que se os publicitários fossem submeter tudo
o que fazem a um advogado, poucas seriam as peças de Propaganda
que iriam para a rua. Concordo, em parte.
O objetivo não é criar problemas. Mas, sempre que possível,
preveni-los. E isso implica em adequar a solução das leis
à criatividade da peça criada. Ou, quando os problemas já
estiverem criados, tentar solucioná-los de uma maneira que não
haja respingos para o nosso "patrão" comum: o cliente
e anunciante.
Afinal, é por causa dele que eu, advogado, e vocês, publicitários
e demais profissionais ligados à Propaganda, estamos aqui empregando
todo o nosso poder criativo e a nossa força de trabalho. De preferência
sem muito "juridiquês", só com o "publicitariês".
ROBERTO SCHULTZ Ribeiro, Advogado.
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